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   Lisboa, 4 de Fevereiro de 1908

                           O Regicídio

  Colecção de Cromos «História de Portugal»

No dia 1 de Fevereiro o Rei, a Rainha e o Príncipe Real, que se encontravam em Vila Viçosa, no Alentejo, onde costumavam passar uma temporada de caça no Inverno, regressavam a Lisboa quando foram alvo de atentado.

 

D. Carlos e a família real tomaram o comboio na estação de Vila Viçosa, na manhã do dia 1 de Fevereiro. A comitiva régia chegou ao Barreiro ao final da tarde, onde tomou o vapor D. Luís com destino ao Terreiro do Paço, em Lisboa. Aí desembarcaram, na Estação Fluvial Sul e Sueste, por volta das 17 horas da tarde. Apesar do clima de grande tensão, o rei optou por seguir em carruagem aberta, com uma reduzida escolta, para demonstrar normalidade. Enquanto saudavam a multidão presente na Praça, a carruagem foi atacada por vários disparos. Um tiro de carabina atravessou o pescoço do Rei, matando-o imediatamente. Seguiram-se vários disparos, tendo o Príncipe Real, D. Luís Filipe, conseguido ainda alvejar um dos atacantes, sendo em seguida atingido na face por um outro disparo. A rainha, de pé, defendia-se com o ramo de flores que lhe fora oferecido, fustigando um dos atacantes, que subira o estribo da carruagem. O infante D. Manuel foi também atingido num braço. Dois dos regicidas foram mortos no local. Outros fugiram. A carruagem entrou no Arsenal da Marinha, onde se verificou o óbito do Rei e o do Herdeiro do Trono. O infante D. Manuel sobreviveu.

  


   31 de Janeiro de 1891

Primeira revolta republicana

Em 31 de Janeiro comemora-se o aniversário da histórica revolta republicana que aconteceu na cidade do Porto no ano de 1891.

 

A revolta de 31 de Janeiro foi a primeira tentativa de implantação do regime republicano em Portugal.

 As novas ideias do republicanismo começam a proliferar no país.

O ultimato inglês acentua o descontentamento generalizado e o sentimento patriótico dos portugueses. Com este sentimento surge o desejo de mudar de sistema político.

O sentimento de indignação social e patriótico dos portugueses, que varreu o país em protesto pela capitulação do governo monárquico perante as exigências do ultimato inglês, representou a primeira expressão revolucionária do movimento republicano que sairia vitorioso quase duas décadas depois, em 5 de Outubro de 1910.

O ideal da República tinha raízes no Porto. É a cidade que elege o primeiro deputado republicano do país, Rodrigues de Freitas (1870-74). Durante a crise moral do Ultimatum os estudantes do Porto tomaram uma posição de relevo. Em 1886, são organizadas greves a que aderem milhares de portuenses.

A crise de governo que se viveu no período, exaltou os ânimos dos militares da guarnição do Porto, que com o apoio das Forças Armadas, a 31 de Janeiro, promoveram a primeira revolução republicana. Mas, sem o apoio das forças políticas, nem a generalidade dos militares, os revoltosos tiveram que capitular perante a superioridade das forças fiéis à monarquia. Apesar de ter fracassado, as notícias da revolta do Porto emocionaram o país.

As origens do movimento são obscuras, mas o 31 de Janeiro foi um movimento eminentemente popular, executado por sargentos e cabos e apoiado pelo povo anónimo das ruas.


    18 de Janeiro de 1367

              Morreu D. Pedro I – O Justiceiro

Morreu em Lisboa no dia 18 de Janeiro (1367), D. Pedro, oitavo rei de Portugal, quarto filho de D. Afonso IV e de Beatriz de Castela.

D. Pedro I nasceu em Coimbra a 8 de Abril de 1320 e casou primeiro com Branca de Castela, a quem repudiou por debilidade física e mental. Casou depois com Constança Manuel, filha de um fidalgo castelhano que, quando veio para Portugal, trouxe consigo Inês de Castro.

A ligação amorosa entre o infante D. Pedro e Inês de Castro foi imediata o que provocou forte conflito entre D. Afonso IV e seu filho. Temendo o monarca a influência dos Castros em D. Pedro, resolveu condenar à morte Inês de Castro, o que provocou a rebelião de D. Pedro contra si. Contudo a paz entre o pai e o filho foi estabelecida em breve e D. Pedro foi associado aos negócios do Estado, ficando-lhe desde logo incumbida uma função, que sempre haveria de andar ligada à sua memória – a de exercer justiça.

Durante o seu reinado evitou guerras, cunhou ouro e prata e exerceu uma justiça exemplar, sem discriminações, julgando de igual modo nobres e plebeus.

Os documentos e o testemunho de Fernão Lopes definem-nos D. Pedro como justiceiro, generoso, folgazão, amado pelo povo e de grande popularidade. à sua morte o povo dizia que «ou não havia de ter nascido, ou nunca havia de morrer».


    Coimbra, 7 de Janeiro de 1355

             D. Inês de Castro sacrificada

 

Confirma-se a notícia que se receava: D. Afonso IV, aproveitando a ausência de seu filho, ordenou a execução de Inês de Castro, a formosa dama castelhana que mantinha um romance com o infante D. Pedro, de quem tinha três filhos.

O Infante era de tal modo apaixonado por Inês, que se diz que ele poderia abandonar o trono por sua causa, ou perdê-lo frente a interesses Castelhanos.

O reino está chocado com tal atitude do rei. Agora esperamos a reacção de D. Pedro. Como reagirá ele à morte da sua bem amada?


   7 de Janeiro de 1325

               morreu D. Dinis, o Lavrador, sexto rei de Portugal 

 

Morreu uma das figuras mais importantes da História de Portugal: D. Dinis.

Nascido em 9 de Outubro de 1261 em Santarém, o sexto rei de Portugal era filho de D. Afonso III e da infanta D. Beatriz de Castela.

Tem o cognome de “Lavrador” pelo facto de ter criado o pinhal de Leiria, povoado o litoral e publicado leis de protecção à agricultura.

Sendo o primeiro rei que não era analfabeto, o rei “Trovador”notabilizou-se no campo da poesia com as suas “cantigas de amigo”, fundou a universidade e tornou o português na língua oficial do país.

Grande político e estratega, dedicou-se à organização do reino, delimitou as fronteiras, criou a Ordem de Cristo e tornou Lisboa num dos centros culturais europeus da época.

Casou em 1288 com D. Isabel de Aragão.


  4 de Janeiro de 1228

             Morreu D. Sancho II - O Capelo

Morreu em Toledo no dia 4 de Janeiro (1248), D. Sancho II, quarto rei de Portugal.

Filho de D. Afonso II e de D. Urraca, nasceu em Coimbra, em 1209 e casou com D. Mécia Lopez de Haro, não deixando sucessão.

D. Sancho II retomou as negociações já iniciadas com o seu pai para uma reconciliação do poder estatal com o poder eclesiástico.

A partir de 1226 iniciou a campanha do Alentejo, conquistando Elvas, Jerumenha, Serpa, Aljustrel, Mértola, Aiamonte a provavelmente Cacela e Tavira. Como guerreiro foi digno continuador de D. Afonso Henriques, mas foi mau administrador.

Aproveitando da sua tenra idade, foram frequentes durante o seu reinado as lutas entre os ricos-homens e os homens da Igreja, tendo o bispo do Porto feito queixas do rei ao papa que aconselha a chefia do reino a alguém activo a prudente. Desta forma, foi nomeado o príncipe D. Afonso, futuro D. Afonso III.


  Lisboa, 1 de Dezembro de 1640

 

               Viva o Rei!

 

"Esta manhã encontravam-se no Terreiro do Paço numerosas carruagens. Mal soaram as primeiras badaladas das nove horas, alguns fidalgos dirigem-se para o Paço da Ribeira. Aí procuram Miguel de Vasconcelos que encontram escondido num armário, o qual matam e atiram pela janela. A Duquesa de Mântua tenta fugir mas é presa.

D. Miguel de Almeida assoma a uma janela e grita: “Liberdade! Liberdade! Viva El-Rei D. João IV! O Duque de Bragança é o nosso legítimo Rei!”

E é assim, em poucas linhas, que se resume um acontecimento breve mas cheio de sentido, que muda a vida de todo um reino – da união à desejada independência!

O povo sai para a rua aclamando o novo rei que se encontra em Vila Viçosa. Este, está a caminho da capital para assumir o cargo de uma Coroa que foi conquistada para ele."


D. João IV

O Restaurador

 

Filho de D. Teodósio, duque de Bragança e de D. Ana Velasco, nasceu em Vila Viçosa, a 19 de Março de 1604.

Casou em 1633 com D. Luísa de Gusmão, espanhola da casa de Medina Sidónia.

Em 1638, os conjurados da Revolução procuraram obter a aceitação de D. João para uma revolta contra Espanha. Mas as hesitações, ou cautelas, do duque fizeram adiar a Revolução.

Do seu reinado deveremos destacar o esforço efectuado na reorganização da administração, no campo diplomático (no sentido de obter apoio militar e financeiro e conseguir o reconhecimento da Restauração), no campo legislativo e no reforço do aparelho militar - reparação das fortalezas das linhas defensivas fronteiriças, fortalecimento das guarnições, defesa do Alentejo e Beira e a acção desenvolvida para a reconquista do império ultramarino, no Brasil e em África.

É ainda de salientar o facto de João IV ter coroado a Imaculada Conceição como Rainha e Padroeira de Portugal. Desde esse dia, os monarcas portugueses deixaram de usar coroa.


  13 de Novembro de 1460

Morreu o Grande Navegador

"Morreu no passado dia 13 o Infante D. Henrique, com 66 anos de idade. O seu nome ficará sempre ligado aos descobrimentos e viagens que impulsionou."

A sua figura é já considerada de tal modo marcante que já existe um relato pormenorizado dos seus feitos escrita por um dos cavaleiros de sua casa, Gomes Eanes de Azurara, que dá pelo título de “Crónica dos feitos da Guiné”.

Entrevista ao Infante: “As cinco razões”

Cabo de São Vicente, 1434

 

Numa entrevista ao Infante, perguntaram-lhe quais as razões que o levaram a organizar as viagens marítimas.

A resposta foi a seguinte:

 

1º Gostava de ter de tudo manifesta certeza;

2º Considerei que, achando-se naquelas terras alguma povoação de cristãos ou alguns portos em que, sem perigo, pudesse navegar, se podiam trazer para estes reinos muitas mercadorias... e levar para lá das que nestes reinos houvesse, cujo tráfego traria muito proveito aos naturais.

3º Como se dizia que o poderio dos mouros daquela terra de África era muito maior do que geralmente se pensava, trabalho-me de mandar saber até onde chega o poder daqueles infiéis.

4º Queria saber se achariam naquelas partes alguns príncipes cristãos em que a caridade e o maior de Cristo fosse tão esforçado que quisessem ajudar contra aqueles inimigos da fé.

5º A quinta razão é o grande desejo que tenho de acrescentar a Santa Fé de Nosso Senhor Jesus Cristo e trazer a ela todas as almas que se quiserem salvar.


  1 de Novembro de 1755

        Lisboa abanou!

·          A maior catástrofe natural que alguma vez aconteceu em Portugal foi o terramoto de Lisboa de 1755.

·          Neste terramoto, morreram cerca de 60 mil pessoas. Destas, cerca de 20 mil morreram em Lisboa (na época, viviam 250 mil pessoas nesta cidade!).

·          Apesar de o terramoto ter sido em Lisboa, o tremor de terra foi tão forte que provocou estragos em todo o país e sentiu-se até ao Sul de França e ao Norte de África!

·          Tudo aconteceu no dia 1 de Novembro de 1755. Como era Dia de Todos os Santos, as pessoas tinham acordado muito cedo para irem à missa.

·          Como era dia de guarda (como se chamava dantes aos feriados religiosos), havia muitas velas acesas nas casas e nos altares das igrejas. Além disso, o dia estava muito frio, o que fez com que as pessoas tivessem deixado as lareiras acesas em casa.

·          Mas, ninguém podia imaginar o que iria acontecer...
Eram cerca das 9h45 da manhã, quando se sentiu um abalo de terra muito violento.
Em toda a cidade de Lisboa começaram a ruir casas e prédios e a cair pedras para a rua. Muitas pessoas ficaram soterradas nas igrejas onde estavam a assistir à missa.

·          O cais da cidade afundou-se completamente e a água do rio Tejo começou a avançar para a cidade.

·          Além do terramoto em terra, sentia-se o maremoto no mar e no rio. Os barcos que estavam no rio começaram a rodopiar e a afundar-se a pique.

·          Abriram-se falhas na terra, em zonas como Alcântara, Sacavém, S. Martinho, Azeitão e Setúbal. Dessas falhas, surgiu água, vento e vapores.

·          Passado algum tempo, houve um segundo abalo muito violento.
A cidade incendiou-se. As velas e as lareiras que tinham sido deixadas acesas ajudaram a chamas a crescer ainda mais.

·          Levaram todos os pertences que puderam e tentaram apanhar um dos barcos que estavam a recolher pessoas. Mas as ondas do rio estavam tão altas que acabaram por arrastar os barcos e muitas pessoas se afogaram.

·          Durante três dias, os abalos e os incêndios não pararam! O terramoto destruiu a baixa de Lisboa e fez ruir casas e monumentos por todo o país.

·          Depois de passado o horror, o rei ordenou ao Marquês de Pombal que reconstruísse a baixa da cidade.

·          As pessoas que sobreviveram rezavam nas ruas, cobertas de pó.

·          Durante horas, os abalos não pararam, embora já fossem mais fracos do que os primeiros.
Em Lisboa, a baixa estava praticamente destruída. Caíram casas, igrejas e edifícios públicos.

·          Milhares de pessoas desceram até ao Terreiro do Paço para tentarem fugir dos incêndios e da queda de paredes e pedras.

·          Levaram todos os pertences que puderam e tentaram apanhar um dos barcos que estavam a recolher pessoas. Mas as ondas do rio estavam tão altas que acabaram por arrastar os barcos e muitas pessoas se afogaram.

·          Durante três dias, os abalos e os incêndios não pararam! O terramoto destruiu a baixa de Lisboa e fez ruir casas e monumentos por todo o país.

·          Depois de passado o horror, o rei ordenou ao Marquês de Pombal que reconstruísse a baixa

·          Foi nesta época que se construiu a Praça do Rossio, o Arco da Rua Augusta e as ruas paralelas e perpendiculares da baixa onde agora é zona de compras.

·          A maior parte dos monumentos que ficaram destruídos, foram depois restaurados.

·          No entanto, houve alguns monumentos, como o Convento do Carmo, em Lisboa, em que não se fizeram obras, para simbolizar este acontecimento tão trágico.


(Departamento de História)

Fontes principais:

profASA - Portugal um presente com passado

Portugal - Dicionário Histórico

História de Portugal - José Matoso