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Já lá vai quase um ano
(lectivo) de experiência ao nível da implementação do
projecto Portáteis na Sala de Aula e penso que chegou a hora
de explanar aqui, de forma reflexiva, a minha visão sobre a
experiência adquirida, sobre as ideias que foram sendo
desenvolvidas e sobre a filosofia que tem vindo a suportar
as nossas práticas.
Uma equipa - um
projecto
Face a uma
leitura objectiva e ao mesmo tempo abrangente do Edital do
concurso da Iniciativa Escolas, Professores e Computadores
Portáteis (atente-se no título), penso que qualquer projecto
resultante deste facto só poderá ser consonante com o
espírito da iniciativa se ele assentar todos os seus
alicerces num grupo de professores, devidamente
identificados e responsabilizados, que se proponha levar
avante uma experiência de implementação de computadores
portáteis em ambientes curriculares e/ou extra-curriculares.
Neste sentido, a
coesão desse grupo, a vontade de aprender em conjunto e de
encarar o que é novo como um desafio e não como uma ameaça,
aliadas à capacidade dinamizadora de quem coordena, só isto
poderá materializar 75% do sucesso de um projecto. Os
restantes 25% caberão, equitativamente, ao apoio da gestão
da escola, através da responsabilização e do acreditar nas
pessoas; à eventual colaboração do restante corpo docente,
que poderá prestar também algum contributo; e ao apoio,
acompanhamento e supervisão dos Centros de Competência, que,
à distância de um clique, são a voz que incentiva, que guia
e que representam a entidade tutelar.
Perguntar-me-ão:
"...e os alunos, não contam para esta percentagem?". Esses,
são o lado mais fácil do problema. Para eles, a novidade não
é perigo; o caminhar para a frente é-lhes, naturalmente, bem
familiar. Nisso, eles estão sempre à nossa frente... são
eles que esperam por nós!
Projectos
sustentados ou aventuras inconsequentes?
Avançando na
senda da responsabilização e da objectividade de quem
configura esta equipa de trabalho, chega-se,
inevitavelmente, à encruzilhada desta epígrafe. No entanto,
uma equipa que parte dos alicerces acima expostos, não terá,
certamente, dúvidas sobre qual a direcção a seguir: um
projecto sustentado em ideias claras e materializáveis, que
só poderão apontar para a obtenção de um resultado, ou
melhor, uma consequência pedagógica.
No meu modesto
entendimento, um projecto desenvolvido a partir das
condições oferecidas por esta Iniciativa e no contexto de
projecto pioneiro que pretende ser, terá que abdicar,
necessariamente, da utópica vontade de abranger a mancha
totalitária dos alunos de uma escola (sob o risco de ser
extemporâneo, esporádico, inócuo e inconsequente) e, de uma
forma assertiva, ponderada e realista, direccionar o seu
plano de acção para um maior número possível de alunos, que,
embora restrito, será alvo de um trabalho sequenciado, bem
situado no tempo, bem articulado e inserido no plano
curricular das disciplinas em causa, perseguindo uma
intenção pedagógica definida à partida.
Portáteis
portáteis ou portáteis fixos?
Outra questão, de
nível mais operacional, mas que tem também lugar nesta minha
reflexão, é a evidenciação da característica da
portabilidade dos equipamentos. Quando a criatividade não
nos abandona, a equipa acaba sempre por encontrar uma boa
forma de operacionalizar o uso quotidiano dos computadores e
projector, de forma a levá-los ao encontro dos alunos, à sua
sala de aula. De outro modo, creio que seria mesmo
paradoxal, fixar um conjunto de computadores portáteis num
determinado espaço, forçando a estabilidade de uma turma a
ter que ser, ela, portátil.
Uso individual profissional (insegurança ou falta de
hábitos?)
Nós, professores,
sofremos, por vezes, de uma falta de auto-estima que,
tornando-nos pequenos, não nos permite ver o mais simples e
o mais lógico e faz com que sejamos nós os primeiros a não
querer imprimir a dignidade que o nosso trabalho merece.
Se em qualquer
empresa privada e outros sectores públicos, determinados
funcionários, para o desempenho das suas funções, têm ao seu
cuidado computadores, telemóveis, automóveis e outras
coisas..., por que razão um professor se há-de sentir mal
por usar a título pessoal, um computador portátil que lhe
foi destinado por direito no Edital do concurso, para uso
individual profissional? É preciso ter bem claro que, ao
propormos um projecto de trabalho, temos todo o direito de
exigir as condições necessárias para o implementar. E, neste
caso, nem foi preciso exigi-las, porque elas já constam
explicitamente no referido Edital.
Falando
pessoalmente, e com a frieza prosaica da linguagem
contabilística, o saldo entre o deve e o haver resultante da
minha relação com a tutela é claramente positivo a meu
favor. Mesmo com um portátil para uso pessoal, no âmbito da
implementação deste projecto, sinto que eu e a equipa com
quem trabalho, pelo empenho e entrega que nos caracterizam,
continuamos na posição de credores perante a nossa entidade
tutelar.
A dívida, essa
vai-nos sendo paga através dos sorrisos dos nossos alunos e
da alegria de os vermos crescer connosco.
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