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Rentabilizar a Internet

no Ensino Básico e Secundário:

dos Recursos e Ferramentas Online aos LMS

 

s í s i f o / r e v i s t a d e c i ê n c i a s d a e d u c a ç ã o · n . º 3 · m a i / a g o 0 7


Adão Sousa (coordenador Projecto navegaR)

 

Portáteis na Sala de Aula

 – uma visão

   

 Já lá vai quase um ano (lectivo) de experiência ao nível da implementação do projecto Portáteis na Sala de Aula e penso que chegou a hora de explanar aqui, de forma reflexiva, a minha visão sobre a experiência adquirida, sobre as ideias que foram sendo desenvolvidas e sobre a filosofia que tem vindo a suportar as nossas práticas.

 

Uma equipa - um projecto

 

Face a uma leitura objectiva e ao mesmo tempo abrangente do Edital do concurso da Iniciativa Escolas, Professores e Computadores Portáteis (atente-se no título), penso que qualquer projecto resultante deste facto só poderá ser consonante com o espírito da iniciativa se ele assentar todos os seus alicerces num grupo de professores, devidamente identificados e responsabilizados, que se proponha levar avante uma experiência de implementação de computadores portáteis em ambientes curriculares e/ou extra-curriculares.

Neste sentido, a coesão desse grupo, a vontade de aprender em conjunto e de encarar o que é novo como um desafio e não como uma ameaça, aliadas à capacidade dinamizadora de quem coordena, só isto poderá materializar 75% do sucesso de um projecto. Os restantes 25% caberão, equitativamente, ao apoio da gestão da escola, através da responsabilização e do acreditar nas pessoas; à eventual colaboração do restante corpo docente, que poderá prestar também algum contributo; e ao apoio, acompanhamento e supervisão dos Centros de Competência, que, à distância de um clique, são a voz que incentiva, que guia e que representam a entidade tutelar.

Perguntar-me-ão: "...e os alunos, não contam para esta percentagem?". Esses, são o lado mais fácil do problema. Para eles, a novidade não é perigo; o caminhar para a frente é-lhes, naturalmente, bem familiar. Nisso, eles estão sempre à nossa frente... são eles que esperam por nós!

 

Projectos sustentados ou aventuras inconsequentes?

 

Avançando na senda da responsabilização e da objectividade de quem configura esta equipa de trabalho, chega-se, inevitavelmente, à encruzilhada desta epígrafe. No entanto, uma equipa que parte dos alicerces acima expostos, não terá, certamente, dúvidas sobre qual a direcção a seguir: um projecto sustentado em ideias claras e materializáveis, que só poderão apontar para a obtenção de um resultado, ou melhor, uma consequência pedagógica.

No meu modesto entendimento, um projecto desenvolvido a partir das condições oferecidas por esta Iniciativa e no contexto de projecto pioneiro que pretende ser, terá que abdicar, necessariamente, da utópica vontade de abranger a mancha totalitária dos alunos de uma escola (sob o risco de ser extemporâneo, esporádico, inócuo e inconsequente) e, de uma forma assertiva, ponderada e realista, direccionar o seu plano de acção para um maior número possível de alunos, que, embora restrito, será alvo de um trabalho sequenciado, bem situado no tempo, bem articulado e inserido no plano curricular das disciplinas em causa, perseguindo uma intenção pedagógica definida à partida.

 

Portáteis portáteis ou portáteis fixos?

 

Outra questão, de nível mais operacional, mas que tem também lugar nesta minha reflexão, é a evidenciação da característica da portabilidade dos equipamentos. Quando a criatividade não nos abandona, a equipa acaba sempre por encontrar uma boa forma de operacionalizar o uso quotidiano dos computadores e projector, de forma a levá-los ao encontro dos alunos, à sua sala de aula. De outro modo, creio que seria mesmo paradoxal, fixar um conjunto de computadores portáteis num determinado espaço, forçando a estabilidade de uma turma a ter que ser, ela, portátil.

 

Uso individual profissional (insegurança ou falta de hábitos?)

 

Nós, professores, sofremos, por vezes, de uma falta de auto-estima que, tornando-nos pequenos, não nos permite ver o mais simples e o mais lógico e faz com que sejamos nós os primeiros a não querer imprimir a dignidade que o nosso trabalho merece.

Se em qualquer empresa privada e outros sectores públicos, determinados funcionários, para o desempenho das suas funções, têm ao seu cuidado computadores, telemóveis, automóveis e outras coisas..., por que razão um professor se há-de sentir mal por usar a título pessoal, um computador portátil que lhe foi destinado por direito no Edital do concurso, para uso individual profissional? É preciso ter bem claro que, ao propormos um projecto de trabalho, temos todo o direito de exigir as condições necessárias para o implementar. E, neste caso, nem foi preciso exigi-las, porque elas já constam explicitamente no referido Edital.

Falando pessoalmente, e com a frieza prosaica da linguagem contabilística, o saldo entre o deve e o haver resultante da minha relação com a tutela é claramente positivo a meu favor. Mesmo com um portátil para uso pessoal, no âmbito da implementação deste projecto, sinto que eu e a equipa com quem trabalho, pelo empenho e entrega que nos caracterizam, continuamos na posição de credores perante a nossa entidade tutelar.

A dívida, essa vai-nos sendo paga através dos sorrisos dos nossos alunos e da alegria de os vermos crescer connosco.


Pacheco Pereira, no Abrupto

LENDO
VENDO
OUVINDO
ÁTOMOS E BITS
de 6 de Outubro de 2006
O modo como a manifestação dos professores foi tratada mostra a fragilidade do nosso jornalismo, que tem muita dificuldade em sair do habitual, em perceber o que é diferente, para além das legítimas dúvidas sobre a  governamentalização da RTP que suscita. A manifestação dos professores não
foi apenas uma manifestação bem sucedida para os sindicatos, não foi apenas a "maior" manifestação dos professores, foi um elemento qualitativamente  novo na análise da situação do nosso ensino.

Mereceria que se lhe estivesse mais atento porque mostra uma ruptura entre  os professores e o Ministério sem precedentes e que não pode deixar de ter consequências sobre o que se passa nas escolas. Mereceria um comentário mais  qualificado, fora do tradicional conflito sindical, mereceria que se tentasse perceber por que razão o Ministério alienou nas escolas a parte mais qualificada dos professores que podiam ser o suporte de muitas das  reformas que têm vindo a ser propostas e que são vitalmente necessárias. Mostra o preço do estilo do governo de tentar fazer reformas atacando os
grupos profissionais no seu conjunto pelos seus "privilégios", o que no caso  dos professores foi fatal.

Os professores são uma profissão muito especial, com grandes fracturas internas, muito maus hábitos mas também um dos ambientes de trabalho mais árduos que se possa imaginar, tendo que defrontar problemas sociais,  familiares, culturais, para que não tem meios nem qualificações, para que nem sequer é suposto que escola tenha eficácia. Mas há uma minoria de professores, uma minoria porque a profissão está muito degradada, que se  dedica de forma quase "vocacional" ao ensino e esses desejavam há muito algumas das reformas que o Ministério se propõe fazer. Sucede que esses professores também sabem bem demais o papel negativo que o Ministério sempre  teve e as enormes responsabilidades do aparelho burocrático-sindical que o domina. Revoltaram-se por passarem a bodes expiatórios de uma situação que sempre combateram, sem qualquer assunção de responsabilidades próprias do  Ministério. Alguns pela primeira vez foram ontem a uma manifestação
sindical.