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Enquanto lia,
para o meu estudo, vários artigos sobre obesidade
pediátrica, que reúne hoje uma grande equipa de
profissionais, desde médicos, nutricionistas, profissionais
do exercício físico e psicólogos, que se preocupam com o
tema e procuram a todo o custo sensibilizar toda a população
para a importância e pertinência do que se considera hoje
uma das epidemias do século XXI, e porque verificava que,
das várias causas apontadas para este aumento perigoso das
doenças nutricionais, se encontram o aumento do consumo de
snacks, bebidas açucaradas e refrigerantes e ainda a
diminuição do número de refeições; como um relâmpago,
surgiram à minha frente os fortes vídeos publicitários da
Macdonald’s, da Coca-Cola, das batatas fritas, entre outros.
Aí compreendemos a grande capacidade apelativa e sedutora
que exercem sobre todos. As próprias máquinas de venda desse
tipo de produtos são apelativas, as imagens dos produtos são
igualmente apelativas, o Macdonald’s é apelativo, os espaços
são agradáveis e sedutores.
A tentação é
realmente grande, até os bares das escolas se vêem tentados
a ter alguns desses produtos para poderem competir, embora
muito provavelmente da forma errada, com esses espaços
exteriores à escola… ou será talvez um efeito inconsciente
que o fortíssimo marketing, muito bem engendrado, gera
também nos adultos? Muitas das vezes, parece haver a
consciência de que não deveria ser assim, e então, dizemos
que se retirarmos esses “alguns produtos”, os nossos alunos
acabam por querer sair da escola para os conseguirem fora
dela…
Eu compreendo
os mais novos… também gosto de alimentos bem confeccionados,
com bom aspecto, também gosto de alimentos com bom sabor,
também gosto de comer num local agradável … e também é
verdade que nestes aspectos a escola está claramente em
desvantagem. É precisamente aqui que considero ser
importante a intervenção. A alimentação não pode ser vista
como um sacrifício e como uma obrigação “penosa”. Estará
porventura na hora de repensar a estratégia e utilizar as
mesmas armas na luta pela boa alimentação. As nossas
cantinas e bares precisam de mudar de imagem, de atitude,
modo de confeccionar e apresentar os alimentos. Utilizar um
marketing igualmente forte que consiga conquistar os seus
“clientes”. E estes não deveriam ser apenas os alunos,
únicos que não tem hipótese de escolha ou, se a fizerem, vão
apenas diminuir o número de refeições e aumentar o consumo
de snacks, Coca-Cola e outros refrigerantes.
Prof. Duarte Nuno |