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Semana
- 11/Fev. a 17 Fev. |
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Manuel António Pina |
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Manuel António Pina
nasceu em Sabugal, Beira Alta, em 1943.
Licenciou-se em Direito pela
Universidade de Coimbra.
Para além de escritor, é
também jornalista, tendo colaborado em
vários órgãos de comunicação social,
desde a imprensa escrita, passando pela
rádio e televisão, sobretudo como
excelente cronista. Tem-se dedicado à
poesia e à tradução, sendo grande parte
da sua obra inserida no âmbito da
literatura infanto-juvenil. Algumas das
suas obras foram adaptadas a programas
de televisão, ao teatro e ao cinema.
A obra de Manuel António
Pina caracteriza-se por “um discurso de
invulgar criatividade e de constante
desafio à inteligência do leitor”,
qualquer que seja a sua idade.
Como poeta, a sua obra
revela um cariz simultaneamente sentido
e reflexivo, de tom irónico e pendor
filosofante.
Ganhou vários prémios, de
que se destacam o Prémio Calouste
Gulbenkian Melhor Livro Publicado em
Portugal em 1986/1987, o Prémio Nacional
de Crónica Press Club/Clube de
Jornalistas e recebeu a Medalha de Ouro
de Mérito da Câmara Municipal do Porto,
cidade onde vive e sobre a qual muito
tem escrito. |
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Sugestão de leitura:
"Gigões & anantes"
“O Têpluquê”
“Os Piratas”
"Poesia reunida"
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Pensar de pernas para o
ar
Pensar
de pernas para o ar
é uma grande maneira de pensar
com toda a gente a pensar como toda a gente
ninguém pensava nada diferente
Que bom
é pensar em outras coisas
e olhar para as coisas noutra posição
as coisas sérias que cómicas que são
com o céu para baixo e para cima o chão |
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Ouro e prata
A flor
amarela
era a da
urze?
E a de
prata
a da
giesta?
Pouca
coisa são as palavras
e é o
que me resta,
o seu
ouro derramado
sobre as
lembranças:
a
palavra urze, a palavra giesta,
os nomes
das primeiras esperanças,
o meu
nome tantas vezes sussurrado
de
tantas maneiras indiferentes!
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Saudade da prosa
Poesia,
saudade da prosa;
escrevia "tu", escrevia "rosa";
mas nada me pertencia,
nem o mundo lá fora
nem a memória,
o que ignorava ou o que sabia.
E se regressava
pelo mesmo caminho
não encontrava
senão palavras
e lugares vazios:
símbolos, metáforas,
o rio não era o rio
nem corria e a própria morte
era um problema de estilo.
Onde é que eu já lera
o que sentia, até a
minha alheia melancolia? |
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O Jardim das
Oliveiras
Se procuro o teu rosto
no meio do ruído das vozes
quem procura o teu rosto?
Quem fala obscuramente
em qualquer sítio das minhas palavras
ouvindo-se a si próprio?
Às vezes suspeito que me segues,
que não são meus os passos
atrás de mim.
O que está fora de ti, falando-te?
Este é o teu caminho,
e as minhas palavras os teus passos?
Quem me olha desse lado
e deste lado de mim?
As minhas dúvidas, até elas te pertencem? |
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