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              Semana - 18/Fev. a 24/Fev.

Almeida Garrett

Almeida Garrett nasceu em 1799 e morreu em 1854

Foi poeta, romancista, dramaturgo, cronista e político. De entre a sua vasta e importante obra, destacam-se Viagens na Minha Terra (literatura de viagens), Frei Luís de Sousa (drama), Folhas Caídas (poesia) ou Romanceiro. Este último é uma colectânea de poemas narrativos de tradição oral. A recolha destes poemas, por Almeida Garrett, permitiu conhecer melhor a literatura nacional primitiva.

Sugestão de leitura:

 

"Viagens na Minha Terra"

“Flores sem Fruto”

“O Arco de Santana”

 
 

 

 

 

Não te Amo

 

Não te amo, quero-te: o amor vem da alma.

E eu na alma - tenho a calma,

A calma - do jazigo.

 Ai! Não te amo, não.

 

Não te amo, quero-te: o amor é vida.

E a vida - nem sentida

A trago eu já, comigo.

Ai, não te amo, não!

 

Ai! não te amo, não; e só te quero

De um querer bruto e fero

Que o sangue me devora,

Não chega ao coração.

(excerto)

 

 

Barca bela

Pescador da barca bela,

Onde vais pescar com ela

            Que é tão bela,

            Ó pescador?

 

Não vês que a última estrela

No céu nublado se vela?

            Colhe a vela,

            Ó pescador!

 

Deita o lanço com cautela,

Que a sereia canta bela...

            Mas cautela,

            Ó pescador!

 

Não se enrede a rede nela,

Que perdido é remo e vela

            Só de vê-la,

            Ó pescador.

 

Pescador da barca bela,

Inda é tempo, foge de ela,

            Foge de ela,

            Ó pescador!

Víbora

 

Como a víbora gerado,

No coração se formou

Este amor amaldiçoado

Que à nascença o espedaçou.

 

Para ele nascer morri;

E em meu cadáver nutrido,

Foi a vida que eu perdi

A vida que tem vivido.