|
 |
 |
|
Semana
- 4/Mar. a 10/Mar. |
 |
|
Antero de Quental |
 |
|
Nasceu
em Ponta Delgada a 18 de Abril de 1842.
Recebeu uma educação religiosa e
tradicional, que viria a abandonar mais
tarde.
Veio
para o continente em 1855, onde
frequentou o curso de direito. Durante a
juventude publicou diversos textos em
vários jornais. Em 1861 publicou a
primeira obra em livro, Sonetos.
Viveu
durante alguns meses em Paris, onde
trabalhou como tipógrafo. A sua intenção
era conhecer de perto o modo de vida das
classes trabalhadoras, movido pelos
ideais socialistas que então defendia.
Regressado a Portugal, participou em
1871 na organização das "Conferências do
Casino", tendo sido o autor de um dos
textos mais célebres dessa série —
Causas da Decadência dos Povos
Peninsulares nos Últimos Três Séculos.
Em 1890
presidiu à Liga patriótica do Norte, um
dos movimentos nacionais de reacção ao
ultimato inglês, que obrigava Portugal a
renunciar à ocupação das terras situadas
entre Angola e Moçambique.
No ano
seguinte, regressou aos Açores,
suicidando-se a 11 de Setembro de 1891. |
|
 |
|
|
| |
|
|
|
|
|
A um poeta
Tu, que dormes, espírito sereno,
Posto à sombra dos cedros seculares,
Como um levita à sombra dos altares,
Longe da luta e do fragor terreno,
Acorda! é tempo! O sol, já alto e pleno,
Afuguentou as larvas tumulares...
Para surgir do seio desses mares,
Um mundo novo espera só um aceno...
Escuta! é a grande voz das multidões!
São teus irmãos, que se erguem! são canções...
Mas de guerra... e são vozes de rebate!
Ergue-te pois, soldado do Futuro,
E dos raios de luz do sonho puro,
Sonhador, faze espada de combate!
|
Aspiração
Meus dias vão correndo vagarosos,
Sem prazer e sem dor parece
Que o foco interior já desfalece
E vacila com raios duvidosos.
É bela a vida e os anos são formosos,
E nunca ao peito amante o amor falece...
Mas, se a beleza aqui nos aparece,
Logo outra lembra de mais puros gozos.
Minha alma, ó Deus! a outros céus aspira:
Se um momento a prendeu mortal beleza,
É pela eterna pátria que suspira...
Porém, do pressentir dá-ma a certeza,
Dá-ma! e sereno, embora a dor me fira,
Eu sempre bendirei esta tristeza!
|
O Palácio da Ventura
Sonho que sou um cavaleiro andante.
Por desertos, por sóis, por noite escura,
Paladino do amor, busca anelante
O palácio encantado da Ventura!
Mas já desmaio, exausto e vacilante,
Quebrada a espada já, rota a armadura...
E eis que súbito o avisto, fulgurante
Na sua pompa e aérea formusura!
Com grandes golpes bato à porta e brado:
Eu sou o Vagabundo, o Deserdado...
Abri-vos, portas d'ouro, ante meus ais!
Abrem-se as portas d'ouro, com fragor...
Mas dentro encontro só, cheio de dor,
Silêncio e escuridão -- e nada mais!
|
|
|
|
|