|
 |
 |
|
Semana
- 18/Mar. a 24/Mar. |
 |
|
Sebastião da Gama |
 |
|
Poeta português, natural
de Vila Nogueira de Azeitão, Setúbal.
Concluiu o curso de Filologia Românica
na Faculdade de Letras da Universidade
de Lisboa em 1947, e ainda nesse ano
iniciou a sua actividade de professor,
que exerceu em Lisboa, Setúbal e
Estremoz. Foi colaborador das revistas
Árvore e Távola Redonda.
Sebastião da Gama ficou para a história
pela sua dimensão humana, nomeadamente
no convívio com os alunos, registado nas
páginas do seu famoso Diário (iniciado
em 1949). Literariamente, não esteve
dependente de qualquer escola,
afirmando-se pela sua temática (amor à
natureza, ao ser humano) e pela candura
muito pessoal que caracterizou os seus
textos.
Morreu, de tuberculose,
em 1952. Foi, entretanto, instituído,
com o seu nome, um Prémio Nacional de
Poesia. |
|
 |
|
Sugestão de leitura:
Serra Mãe
Cabo da Boa Esperança
Campo Aberto
Diário
O
Segredo é Amar |
| |
|
|
|
|
|
|
Pequeno
poema
Quando eu nasci,
ficou tudo como estava.
Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu,
nem houve Estrelas a mais...
Somente,
esquecida das dores,
a minha Mãe sorriu e agradeceu.
Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.
As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém...
P'ra que o dia fosse enorme,
bastava
toda a ternura que olhava
nos olhos de minha Mãe... |
|
Pelo
sonho é que vamos
Pelo sonho é que vamos,
comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não haja frutos,
pelo sonho é que vamos.
Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
com a mesma alegria,
ao que desconhecemos
e ao que é do dia a dia.
Chegamos? Não chegamos?
- Partimos. Vamos. Somos. |
|
O Sol já se escondeu...
O sol já se escondeu...
Precisamente quando,
feliz,
eu desatei a cantar.
(Só por feliz eu cantei).
Agora quero acabar,
que já me dói a garganta
mas vou ainda cantando,
temendo
dar por mim de novo triste
assim que esteja calado
(...Como se a minha Alegria
nascesse de eu ter cantado).
|
|
Oração
de Todas as Horas
Agora,
que eu já não sei andar nas trevas,
não me roubes a Tua Mão, Senhor,
por piedade!
Voltar às trevas não sei,
e sem a Tua Mão não poderei
dar um só passo em tanta Claridade.
Pelas Tuas feridas minhas, pelas tristezas
de Tua Mãe, Jesus.
não me deixes, no meio desta Luz,
de pernas presas...
Não me deixes ficar
com o Caminho todo iluminado
e eu parado e tão cansado
como se fosse a andar ... |
|
|