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                 Semana - 22 a 28/Abril

Manuel Alegre

Manuel Alegre nasceu em 1936, em Águeda, tendo dividindo a sua vida entre a poesia e a política.

A sua obra poética combina a intenção política de intervenção com uma dimensão lírica de cariz patriótico, influenciada pela poesia trovadoresca e quinhentista, onde o mar é elemento frequente.

Os seus poemas, para além do tom épico, oferecem também grande musicalidade, sendo muitos deles cantados por conhecidas vozes da música portuguesa.

Sugestão de leitura:

 

Praça da Canção

O Canto e as Armas

Atlântico

Vinte Poemas para Camões

 
 
 
 
 

 

 

 
Flores para Coimbra
  

Que mil flores desabrochem. Que mil flores

(outras nenhumas) onde amores fenecem

que mil flores floresçam onde só dores

florescem.

 

Que mil flores desabrochem. Que mil espadas

(outras nenhumas não)

onde mil flores com espadas são cortadas

que mil espadas floresçam em cada mão.

 

Que mil espadas floresçam

onde só penas são.

Antes que amores feneçam

que mil flores desabrochem. E outras nenhumas não.

 
Regresso

 

E contudo perdendo-te encontraste.

E nem deuses nem monstros nem tiranos

te puderam deter. A mim os oceanos.

E foste. E aproximaste.

 

Antes de ti o mar era mistério.

Tu mostraste que o mar era só mar.

Maior do que qualquer império

foi a aventura de partir e de chegar.

 

Mas já no mar quem fomos é estrangeiro

e já em Portugal estrangeiros somos.

Se em cada um de nós há ainda um marinheiro

vamos achar em Portugal quem nunca fomos.

 

De Calicute até Lisboa sobre o sal

e o Tempo. Porque é tempo de voltar

e de voltando achar em Portugal

esse país que se perdeu de mar em mar.

 

Uma Flor de Verde Pinho
  

Eu podia chamar-te pátria minha

dar-te o mais lindo nome português

podia dar-te um nome de rainha

que este amor é de Pedro por Inês.

 

Mas não há forma não há verso não há leito

para este fogo amor para este rio.

Como dizer um coração fora do peito?

Meu amor transbordou. E eu sem navio.

 

Gostar de ti é um poema que não digo

que não há taça amor para este vinho

não há guitarra nem cantar de amigo

não há flor não há flor de verde pinho.

 

Não há barco nem trigo não há trevo

não há palavras para dizer esta canção.

Gostar de ti é um poema que não escrevo.

Que há um rio sem leito. E eu sem coração.