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Semana
- 19 a 25/Nov. |
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Luísa Ducla Soares |
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Luísa Ducla Soares (Maria Luísa
Bliebernicht Ducla Soares Sottomayor
Cardia) nasceu em Lisboa a 20 de Julho
de 1939. É licenciada em Filologia
Germânica.
Iniciou a sua actividade profissional
como tradutora, consultora literária e
jornalista.
Colaboradora de diversos jornais e
revistas, estreou-se com um livro de
poemas, Contrato , em 1970.
Dedicada especialmente à literatura para
crianças e jovens , publicou mais de
meia centena de obras neste domínio.
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Sugestão de leitura:
Histórias de bichos
Poemas da mentira ... e da verdade
Diário de Sofia & Cª
O rapaz e o robô
Crime no expresso do tempo
Arca de Noé |
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Tudo ao Contrário
O menino do contra
queria tudo ao contrário:
deitava os fatos na cama
e dormia no armário.
Das cascas dos ovos
fazia uma omelete;
para tomar banho
usava a retrete.
Andava, corria
de pernas para o ar;
se estava contente,
punha-se a chorar.
Molhava-se ao sol,
secava na chuva
e em cada pé
usava uma luva.
Escrevia no lápis
com um papel;
achava salgado
o sabor do mel.
No dia dos anos
teve dois presentes:
um pente com velas
e um bolo com dentes. |
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A Sombra
Eu tenho uma amiga, a sombra,
que anda comigo e não fala.
Por mais que eu puxe conversa,
sempre a marota se cala.
Logo que corro para o sol,
estende-se a sombra no chão.
Pisam-na todos os pés
e senta-se nela o cão.
Salta para trás e para a frente,
pula para cima, para o lado,
mas parece que está presa
à sola do meu calçado.
Faz tudo aquilo que eu faço:
macaca de imitação!
Até se lhe dou um estalo
me quer dar um safanão.
Eu sou branco, ela é preta,
ando em pé, ela deitada.
Mas nunca nos separamos
até ser noite fechada. |
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Poema em G
Graça não gosta da guerra.
Guilherme não gosta da guerra.
Guida não gosta da guerra.
A guerra matou-lhes o pai.
A guerra queimou-lhes a casa.
A guerra espantou-lhes o gado.
Graça, Guilherme, Guida gritam.
As granadas estoiram.
Agora o sangue irriga as ruas.
Graça, Guilherme, Guida
querem gritar
à gente grande
que se fica sempre a perder,
mesmo que os generais
ganhem as guerras. |
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Sonho
Montei um cavalo
que vi no terraço,
voei para o circo
e fiz-me palhaço.
Toquei concertina,
dancei ao compasso,
dei saltos mortais
através do espaço.
Com um macaquinho
pousado no braço,
a cada menino
eu dei um abraço.
Em tudo o que sou,
em tudo o que faço,
já não resta nada
daquele palhaço. |
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