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Semana
- 26/Nov. a 2/Dez. |
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Miguel Torga |
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Escritor português natural, de São
Martinho de Anta, Vila Real. Nasceu em
1907. Proveniente de uma família
humilde, teve uma infância rural dura,
que lhe deu a conhecer a realidade do
campo, feita de trabalho árduo e
contínuo. Após uma breve passagem pelo
seminário de Lamego, emigrou com 13 anos
para o Brasil, onde durante cinco anos
trabalhou na fazenda de um tio, em Minas
Gerais, como capinador, apanhador de
café, vaqueiro e caçador de cobras. De
regresso a Portugal, em 1925, concluiu o
liceu e frequentou em Coimbra o curso de
Medicina, que terminou em 1933. Exerceu
a profissão de médico em São Martinho de
Anta e noutras localidades do país,
fixando-se definitivamente em Coimbra,
como otorrinolaringologista, em 1941 e
onde viria a falecer em 1995. |
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Sugestão de leitura:
Ansiedade
Tributo
Abismo
Lamentação
Nihil Sibi
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Segredo
Sei um ninho.
E o ninho tem um ovo.
E o ovo, redondinho,
Tem lá dentro um passarinho
Novo.
Mas escusam de me atentar:
Nem o tiro, nem o ensino.
Quero ser um bom menino
E guardar
Este segredo comigo.
E ter depois um amigo
Que faça o pino
A voar...
Confiança
O que é bonito neste mundo, e anima,
É ver que na vindima
De cada sonho
Fica a cepa a sonhar outra aventura...
E que a doçura
Que se não prova
Se transfigura
Numa doçura
Muito mais pura
E muito mais nova... |
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Fábula
da fábula
Era uma vez
Uma fábula famosa,
Alimentícia
E moralizadora,
Que, em verso e prosa,
Toda gente
Inteligente,
Prudente
E sabedora
Repetia
Aos filhos,
Aos netos
E aos bisnetos.
À base duns insectos,
De que não vale a pena fixar o nome,
A fábula garantia
Que quem cantava
Morria
De fome.
E realmente...
Simplesmente,
Enquanto a fábula contava,
Um demónio secreto segredava
Ao ouvido secreto
De cada criatura
Que quem não cantava
Morria de fartura. |
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Mãe
S. Martinho de Anta, 1 de Junho
Mãe:
Que desgraça na vida aconteceu,
Que ficaste insensível e gelada?
Que todo o teu perfil se endureceu
Numa linha severa e desenhada?
Como as estátuas, que são gente nossa
Cansada de palavras e ternura,
Assim tu me pareces no teu leito.
Presença cinzelada em pedra dura,
que não tem coração dentro do peito.
Chamo aos gritos por ti - não me respondes.
Beijo-te as mãos e o rosto - sinto frio.
Ou és outra, ou me enganas, ou te escondes
Por detrás do terror deste vazio.
Mãe:
Abre os olhos ao menos, diz que sim!
Diz que me vês ainda, que me queres.
Que és a eterna mulher entre as mulheres.
Que nem a morte te afastou de mim! |
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