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              Semana - 21 a 27/Jan.

Fernando Pessoa

Fernando Pessoa nasceu em Lisboa e 13 de Junho de 1888 e morreu a 30 de Novembro de 1935, na mesma cidade.

É considerado um dos maiores poetas de língua portuguesa e um dos mais representativos do século XX. Como viveu a maior parte de sua juventude na África do Sul, dominava na perfeição a língua inglesa, traduzindo, escrevendo, trabalhando, estudando e até pensando nesse idioma. Teve uma vida discreta, trabalhou em jornalismo e em publicidade, mas dedicou-se, principalmente, à literatura, tendo-se desdobrado em várias outras personalidades conhecidas como heterónimos. Fez parte da geração de Orfeu, tinha o hábito de escrever de pé, e a sua figura enigmática originou inúmeros estudos sobre a sua vida e obra.

O seu valor é comparado, por muitos, ao de Camões.

Sugestão de leitura:

 

Mensagem

Cancioneiro

Poesias Inéditas

Odes

 
 
 
 
 
 

 

 

 

Mar Português
 
Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
 
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.
 

(Versão audio)

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Navegar é Preciso

Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa:    

"Navegar é preciso;  viver não é preciso".  

Quero para mim o espírito desta frase,   
transformada a forma para a casar como eu sou:  

Viver não é necessário; o que é necessário é criar.  
Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso.  
Só quero torná-la grande,
ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a (minha alma) a lenha desse fogo.  

Só quero torná-la de toda a humanidade;
ainda que para isso tenha de a perder como minha.  
Cada vez mais assim penso.  

Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue   
o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir  
para a evolução da humanidade.  

É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça.

 

Sou o Espírito da treva

Sou o Espírito da treva,
A Noite me traz e leva; 

Moro à beira irreal da Vida,
Sua onda indefinida 

Refresca-me a alma de espuma...
Pra além do mar há a bruma... 

E pra aquém? há Cousa ou Fim?
Nunca olhei para trás de mim...