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Sophia M. B.
Andresen
(1919-2004)
Sophia de Mello Breyner
Andresen
Sophia de Mello Breyner Andresen é, sem sombra de dúvida, uma das maiores figuras da literatura portuguesa contemporânea – um nome que se transformou, em sinónimo de Poesia. Nasceu no Porto, no seio de uma família aristocrática, e aí viveu até aos dez anos, altura em que se mudou para Lisboa. Foi entre a cidade do Porto e a Praia da Granja e Lisboa que passou a sua infância e juventude. De origem dinamarquesa por parte do pai (o seu avô Jan Henrik Andresen desembarcou um dia no Porto e nunca mais abandonou esta região), a sua educação decorreu num ambiente católico e de grande nível cultural que muito influenciou a sua personalidade, fazendo com que começasse a escrever aos 12 anos. Frequentou o curso de Filologia Clássica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, porque tinha um grande seu fascínio pelo mundo grego e pela cultura da antiguidade clássica (que a levou igualmente a viajar pela Grécia e por toda a região mediterrânica). Após o casamento com o advogado e jornalista Francisco Sousa Tavares, vai morar definitivamente para Lisboa, passando a dividir a sua vida entre a poesia e a actividade cívica, tendo sido grande activista contra o regime de Salazar ao denunciar os seus falsos critérios. Foi sócia fundadora da "Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos", tendo a sua actividade cívica sido sempre uma constante na sua vida. No entanto, a escrita era, sem dúvida, a sua maior arma e, por esta altura, fazia erguer a sua voz de liberdade com a publicação do conjunto de poemas "O Livro Sexto". Foi mãe de cinco filhos, e foram eles que a motivaram a escrever contos infantis, quando, à falta de novas histórias, decidiu inventar algumas para lhes contar, sobretudo quando estavam doentes. Teve uma passagem pela política, quando em 1975, após a Revolução dos Cravos, foi eleita para a Assembleia Constituinte pelo círculo do Porto numa lista do Partido Socialista, enquanto o seu marido desenvolvia uma actividade política pelo Partido Social Democrata. Presidiu ao Centro Nacional de Cultura e à Assembleia Geral da Associação Portuguesa de Escritores. A sua escrita de rigor clássico traduz-se numa enorme simplicidade de linguagem, através de imagens nítidas como a terra, o sol e o mar. O ambiente da sua infância reflecte-se em imagens e ambientes presentes na sua obra, sobretudo nos livros para crianças. Os verões passados na praia da Granja e os jardins da casa da família aparecem nas evocações do mar ou de florestas como espaços de paz e amplitude. A civilização grega é igualmente uma presença constante nos seus versos, mostrando a sua crença profunda na união entre os deuses e a natureza. A sua actividade literária (e política) pautou-se sempre pelas ideias de justiça, liberdade e integridade moral. A publicação do seu primeiro livro – “Poesia” – acontece em 1944 e, desde aí, não parou de escrever e publicar, deixando-nos uma vasta obra, cujo conjunto conta com diversos géneros literários que vão desde a poesia ao conto infanto-juvenil, passando pelo romance, ensaio e trabalhos de tradução. Da sua obra, destacam-se, ao nível da poesia, os títulos “Poesia”, “Dia do Mar”, “Coral”, “Mar Novo”, “Navegações; e no campo da prosa os livros ‘O Rapaz de Bronze’, ‘Fada Oriana’, ‘Cavaleiro da Dinamarca’ “Noite de Natal”, “A Árvore”, “Histórias da Terra e do Mar”, “A Floresta” e ‘A Menina do Mar’. Sophia foi diversas vezes agraciada com os mais distintos prémios literários, tais como o Prémio Camões, Prémio Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores, o Prémio Petrarca da Associação de Editores Italianos, o Prémio Max Jacob de Poesia, Prémio Rainha Sofia de Espanha, o Grande Prémio Calouste Gulbenkian de Literatura para Crianças, entre outros. Sophia de Mello Breyner Andresen morre a 2 de Julho de 2004, em Lisboa, aos 84 anos, deixando-nos uma obra literária incomensurável, que marcou e continuará a marcar a memória de sucessivas gerações de jovens leitores.