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José Régio
(1901-1969)
José Régio
José Régio, pseudónimo de José Maria dos Reis Pereira, nasceu em Vila do Conde, em 1901 e morreu, na mesma cidade, em 1969. É considerado, por alguns, como um dos vultos mais significativos da moderna literatura portuguesa. Viveu na sua cidade natal até completar o quinto ano do liceu, continuando, depois a estudar no Porto e, mais tarde, em Coimbra, onde se licenciou em Filologia Românica, em 1925. Os seus primeiros versos foram publicados em jornais regionais, enquanto estudante, denotando já um talento que mais tarde veio a ser confirmado através de uma obra, que se espraia pelos diversos géneros literários. Foi um dos fundadores da revista Presença, em 1927, que veio a ser publicada durante treze anos, e que acabou por se tornar no rosto do segundo modernismo português, com José Régio como seu principal impulsionador. Publicou também textos dispersos em vários outros jornais e revistas, como a Seara Nova, O Comércio do Porto e o Diário de Notícias. Embora escritor muito activo, José Régio dedicou a maior parte da sua vida ao ensino, tendo iniciado a sua actividade de professor no Porto, mas foi em Portalegre que, a partir de 1928, se fixou e aí leccionou no liceu, tendo permanecido nessa cidade durante quase quarenta anos. Só em 1967 regressou a Vila do Conde, onde morreu dois anos mais tarde. Participou activamente na vida pública, fazendo parte das campanhas políticas de apoio à candidatura à Presidência da República do general Nórton de Matos e, mais tarde, à candidatura do general Humberto Delgado. Como escritor, a obra de José Régio reparte-se, com igual brilhantismo, pelo romance, teatro, poesia e ensaio. Os temas centrais da sua escrita são o conflito entre Deus e o Homem, o indivíduo e a sociedade. Os seus livros reflectem uma análise crítica das relações humanas e da solidão, revelando mesmo um exercício constante de introspecção num tom psicologista e, ao mesmo tempo, místico. É, essencialmente, na sua poesia, de grande tensão lírica e dramática, que José Régio desenvolve uma espécie de diálogo entre níveis diferentes da consciência, atingindo um lugar na ficção, através de uma enorme intensidade psicológica, aliada a um sentido de crítica social. Como ensaísta, dedicou-se ao estudo de autores portugueses como Camões, Raul Brandão e Florbela Espanca. José Régio foi um modernista, na medida em que defendia uma arte viva, que reflectisse, de facto, a originalidade dos autores e que não se cristalizasse em estilos rígidos ditados por correntes ou modas. Queria uma arte original. Poemas de Deus e do Diabo, Jogo da Cabra-Cega (primeiro romance), As Encruzilhadas de Deus (a sua obra-prima), Fado (livro de poesia com desenhos do irmão Júlio), O Príncipe Com Orelhas de Burro, Benilde ou a Virgem-Mãe, O Filho do Homem e Há Mais Mundos, são apenas alguns dos seus títulos, que aqui se destacam pela riqueza literária que encerram. José Régio recebeu vários prémios, entre os quais o Grande Prémio de Novelística da Sociedade Portuguesa de Escritores, o prémio Diário de Notícias e, postumamente, em 1970, o Prémio Nacional de Poesia, pelo conjunto da sua obra poética. Para além da escrita, José Régio partilhou ainda, com o irmão Júlio, o gosto pelas artes plásticas, tendo chegado a desenhar uma capa para a revista Presença e feito os oito desenhos que ilustram os Poemas de Deus e do Diabo. As suas casas de Vila do Conde e de Portalegre são hoje museus muito visitados e acarinhados não só pelas gentes dessas duas cidades como também pelos amantes da cultura em geral.