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Os
golfinhos vivem em grupo onde parece existir uma hierarquia
de dominância.
A sua
gestação dura cerca de 12 meses. Ao nascer a cria mede cerca
de um metro de comprimento e pesa aproximadamente 12 kg.
No processo de parto,
primeiro sai a cauda do golfinho bebé e só depois a cabeça.
Após o nascimento a cria é empurrada até à superfície onde faz a
primeira inspiração. O desmame só ocorre por volta dos
dezoito meses. A ligação da cria à mãe é muito forte e
prolonga-se por um período que pode ir até cinco anos.
São
predadores que se alimentam das espécies comestíveis mais
frequentes, dentro de uma grande variedade de peixes,
moluscos e crustáceos. Na alimentação dos roazes portugueses
predominam os chocos, os polvos e as tainhas.
O
roaz ingere diariamente cerca de 20kg de alimento.
Os
golfinhos passam grande parte do seu tempo à procura de
alimento, e utilizam várias técnicas de caça, alguns caçam
sozinhos, outros em pequenos grupos.
São muito
activos e frequentemente acompanham os barcos à proa.
Chegam a
atingir mais de 40 quilómetros por hora de velocidade a
nadar e, vivendo em liberdade, os roazes podem viver até aos
45 anos, tendo as fêmeas geralmente maior longevidade.
Os
golfinhos são considerados dos mamíferos mais inteligentes.
Possuem uma organização social complexa, uma sensibilidade
apurada e são capazes de comunicação através de linguagem
constituída por sons audíveis e ultra-sons.
São
animais que têm fascinado o homem ao longo dos tempos. São
frequentes as lendas que fazem referência a golfinhos que
vinham todas as manhãs até à praia brincar com as crianças;
golfinhos que se deixaram morrer chorando de dor ao lado de
um companheiro assassinado e tantas outras que fazem parte
da mitologia de diferentes povos. Para as tripulações dos
navios os golfinhos são agradáveis companheiros de viagem
que anunciam a proximidade da costa. Era comum pensar que os
navegantes perdidos os deviam seguir, pois estes os levariam
a bom porto, uma vez que segundo a lenda, possuíam a alma de
homens maus que pagariam os seus pecados fazendo o bem.
Uma
população de golfinhos sedentários semelhante a esta, do
estuário do Sado, habitou até à década de sessenta no
estuário do Tejo, mas desapareceu com a insuficiência de
alimento, o aumento do tráfego marítimo e a poluição
industrial. A população dos golfinhos-roazes do estuário do
Sado tem vindo a diminuir ao longo dos anos. No início dos
anos 80 quando investigadores do Projecto Delfim, (Centro
Português de Estudo dos Mamíferos Marinhos), começaram os
seus estudos contabilizaram um total de cerca de 45 a 48
animais e actualmente o seu número andará por 29 a 31,
dependendo do número de crias que nasce e que se mantém em
cada ano. Este facto torna a população do Sado uma das mais
pequenas e ameaçadas populações residentes de golfinho-roaz
(espécie Tursiops truncatus) a nível Mundial. Será
que os golfinhos roazes do Sado também irão desaparecer?
Será que no futuro passarão a ser uma vaga recordação das
gerações mais velhas? Não estará nas nossas mãos contribuir
para que os golfinhos-roazes do Sado não entrem na lista
negra das populações extintas?
Como disse
Mahatma Gandhi
“A grandeza de uma nação e o seu processo moral, pode ser
medido pela forma como os seus animais são tratados.”
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