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A guitarra
portuguesa é um instrumento muito difundido em Portugal
sendo o que mais se aproxima do sentimento Lusitano do povo
português.
Origens
Como todos associamos a guitarra
portuguesa ao fado há necessidade de mostrar que este
instrumento é muito anterior ao fado.
A nossa tradição da guitarra portuguesa
explica-se no contexto europeu exactamente quando há um
período de decadência ou desqualificação social do
instrumento nos finais do sec. XVIII, princípio dó sec. XIX.
Nestes tempos, a guitarra portuguesa foi associada a uma
classe marginal que cantava uma canção – o fado. Enquanto no
resto da Europa este instrumento desapareceu e ficou
completamente desqualificado deixando de ter interesse
musical e social, no caso da guitarra portuguesa, esta
sobrevive graças à associação com o fado. A
descoberta do repertório anterior ao fado afirma a guitarra
portuguesa com todas as possibilidades como instrumento de
concerto.
Este instrumento tem uma presença em Portugal
com uma história de mais de cinco séculos e está ligado,
principalmente nas origens, ao meio de música culta e que a
pouco e pouco se vai popularizando. A tradição sofística que
sobrevive é realmente a tradição popular.
De origem bastante remota, foi outrora
designada por guitarra mourisca, por ter certa semelhança
com o alaúde, que os árabes introduziram na Península
Ibérica sendo, no entanto, as características dos dois
instrumentos algo distintas.
As origens da guitarra portuguesa remontam à
Idade Média, a um instrumento chamado cítula. Esta evoluiu
ao longo dos tempos, passando pela cítara, culminando na
guitarra portuguesa.
Começando por ser instrumento habitual nos
salões da alta burguesia, sobreviveu e transformou-se nas
mãos do povo, para se tornar, actualmente, num instrumento
popular.
Timbre
A guitarra portuguesa tem um timbre de tal
modo inconfundível que, onde quer que esteja, qualquer
português a reconhece aos primeiros acordes. É um
instrumento musical carregado de simbolismo e, à mercê da
sua longa aliança com o Fado, é conotado com o "modo de ser"
português. Destino, fado e saudade são palavras que
naturalmente se associam ao trinado da guitarra portuguesa.
Morfologia
A guitarra de Fado, como é hoje designada,
foi durante muito tempo conhecida por guitarra inglesa. A
razão desta designação era devida ao seu fabrico, em
Inglaterra, por um violeiro famoso chamado Simpson, o qual
fabricava os melhores instrumentos deste género, alguns dos
quais eram exportados para Portugal.
Existem três tipos de guitarra portuguesa: a
de Lisboa, a do Porto e a de Coimbra, com diferentes
tradições de fabrico. A de Lisboa é a mais pequena das três,
com caixa baixa arredondada e é a que possui o som mais
"brilhante". A de Coimbra é maior, com o corpo assumindo uma
forma mais aguçada. A do Porto é semelhante à de Lisboa. Uma
das principais diferenças reside na cabeça da guitarra: a de
Coimbra possui uma lágrima incrustada, enquanto que a de
Lisboa apresenta um caracol.
Tipo de instrumento (sopro, cordas, teclado,
percussão)
Cordas
Materiais
Para a construção de qualquer guitarra
portuguesa, usam-se madeiras importadas desde a Idade Média,
já que os fundos e ilhargas da guitarra têm de ser
fabricados em pau-santo, ácer ou mogno. O tampo é executado
em spruce, ou pinho da Flandres.
procedimentos de construção
A guitarra portuguesa é, em linguagem
técnica, um cordofone composto, cuja caixa harmónica é
periforme, ou seja, tem forma de pêra. É constituído por
seis pares de cordas e já teve diversas afinações, mas a que
realmente se enraizou foi a a Afinação de Fado: a começar
pelas cordas mais agudas, Si - Lá - Mi - Si - Lá - Ré. |